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MEUS MAIS RECENTES AMIGOS: OS ARBITROS
Essa nova experiência que tenho vivido, por conta do departamento medico da Confederação Brasileira de Beach Soccer, está me proporcionando um novo circulo de amigos e feito pensar em coisas que normalmente não chamariam minha atenção.
Continuo lendo na mídia as mesmas criticas sobre as arbitragens, que a vida inteira eu li. Mas agora minha visão tem sido outra.
Não vou abordar o aspecto técnico da atuação dos árbitros. Vou abordar a visão do amigo profissional de saúde que eu represento, sobre o dia a dia deles.
Já escrevi sobre o preparo físico deles, tão próximo ou as vezes até mais exigidos que dos próprios atletas. Já abordei as condições de saúde e os riscos que os árbitros correm, em decorrência da sua atividade em campo. Constantemente são colocado em situação de pressão extrema, causado por dirigentes, mídia e torcedores, TODOS absolutamente passionais.
Mas o que me ocorreu agora é ao exemplo dos Juizes , Desembargadores, Delegados de Policia os Arbitros de Futebol também são condicionados a terem um modo de vida segregacionado, onde os amigos passam a ser o do mesmo circulo a que eles pertencem. Amigos que entendem e sofrem pelas mesmas coisas.
Há um desestimulo natural em aumentar seu circulo de amizades. A liturgia do cargo impede que eles sejam amigos de quem quer que seja. Haverá sempre o risco de serem mal interpretados se forem vistos jantando com um jornalista, almoçando com um atleta ou um happy hour com um politico. E se aparecerem em publico com um dirigente então, pronto, já estarão literalmente cruxificados.
Desde que ingressei no Beach Soccer, a recepção que os árbitros me proporcionaram, foi muito gratificante. Seja pelos árbitros brasileiros, seja pelos árbitros internacionais. Todos, sem nenhuma exceção, fizeram e fazem questão da minha presença, já que me veem como um amigo não envolvido pela paixão que distorce a razão. Que está desenvolvendo um trabalho no meio e em pessoas que eles também trabalham.
Esse afastamento social a que estão submetido, seja pelas criticas inevitáveis dos conhecidos da vida pessoal, seja da crônica, acaba causando uma retração natural no seu convívio, trazendo mais uma forma de pressão psicológica, talvez a mais cruel delas.
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