Entrevistado do mês: Oscar Roberto Godoi


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Nome completo, local e data de nascimento, nome dos pais,esposa e filhos
R: Oscar Roberto Godoi, São José do Rio Preto-SP, 04 de junho de 1955, Oscar Correa Godoi e Almerita dos Reis, casado, 3 filhos.

Qual seu ano de formação e qual razão não ter dado sequencia imediata?

R: Formei em 1976 na Liga Riopretense de Futebol e 1977 na Federação Paulista de
Futebol, passando em primeiro lugar nos dois cursos. Insisti na FPF até 1982 e mandei todo mundo pra pqp. Eu odiava bandeirar e só me escalavam para ser auxiliar de árbitro fraco ou safado. Tchau.

Lembra de sua primeira escala?
R: Foi tão ruim que nem me lembro. Quando voltei, em 87/88 para ser só árbitro, minha primeira escala foi no amistoso América FC x Rio Preto EC, derbi local em minha cidade. Outra escala que merece destaque como inicial é a do primeiro jogo na principal divisão paulista entre São Bento x Noroeste. O observador foi Idlewilde Soares, temido por árbitro bunda mole, que confessou ter ido nesse jogo para ver se eu tinha condições de ser árbitro. Acho que ele não errou nas observações. Eu já sabia do que era capaz.

Qual o sentimento em ter chegado á FIFA?
R: Foi bom ter chegado e ter cumprido meu tempo, sendo jubilado por idade. Me preparei para encerrar a carreira na Olimpíada de 2000. Era o melhor e fui indicado mas, mudaram as regras e usaram as competições como laboratório para a Copa do Mundo de 2002 e fui sacado. Não fiz uma carreira internacional que sinta orgulho por ter sido muito sacaneado pelo safado do Ivens Mendes, presidente da CEAF da CBF e também por não usar o saco do patrão como corrimão para o sucesso. 

Algum fator comparativo entre você e Dulcidio Vanderlei Boschilla?
R: Acho que independência, competência, coragem e falta de educação. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Como vê os árbitros atuais da Federação Paulista?
R: Sem personalidade. Querem ser cópia dos formadores. Do professor você absorve o conhecimento, mas na hora de executar tem que ser você. Tem árbitro que mostra o que realmente é quando é promovido, muda completamente a postura, não sabe a quem agradar. Uns puxam o saco outros arrancam. Falta referência. Não é possível que não se consiga qualidade com essa quantidade que temos de árbitros. Penso que a metodologia está errada. O conforto é que não é só aqui, é no mundo todo. É a geração vídeo game.

Que conselho daria ao aluno de hoje e árbitro de amanhã?
R: Personalidade ,caráter,independência.É melhor se frustrar sendo você do que realizar o sonho dos outros e não o seu.

Alguma arbitragem que gostaria de destacar na carreira?
R: Todas aquelas onde alcancei os meus objetivos. Mas, para citar apenas uma,apitei um Corinthians x Palmeiras com o desafio de ser o melhor em campo e consegui. Fui premiado pela Rádio Globo com um telefone. Foi aquele jogo da Libertadores em que os peladões Dinei e Vampeta erraram os pênaltis.

Qual é para você o maior problema na arbitragem brasileira?
R: A maneira como os árbitros são formados e depois como eles são comandados. Estão sendo usados como moeda de troca e, alguns, aceitam pensando mais nas escalas no que na carreira. Enquanto não tivermos um comando sério, competente e, o mais importante, independente, a tendência é piorar.

Na escola da vida você se considera um aluno que nota e por que?
R: Nota oito. Não sou perfeito.

O que mudou no Oscar após o assalto sofrido?
R: Fiquei mais religioso. Fortaleci a mente e diminui o sentimento pelas coisas materiais.

Contra ou a favor da profissionalização da arbitragem?
R: A favor mas não encontro um modelo ideal. A dúvida maior é saber quem será o patrão e se o árbitro poderá agir contra os interesses do patrão.

Favorável aos sorteios?
R: Não. Oficializaram a sacanagem nas escalas.

A elevada exigência nos testes físicos atuais são absolutamente necessários?
R: Entendo que não. Nenhum árbitro em nenhum jogo corre em campo o que se exige nos testes. Os jogadores não treinam mais do que são exigidos.

Tornar-se jornalista era um objetivo de vida ou surgiu durante a carreira?
R: Surgiu quando fui presidente da Liga Rio-pretense de Futebol e divulgava os eventos organizados. Cheguei a trabalhar em dois jornais como repórter, redator e editor de esportes amadores, mesmo sem ter formação acadêmica.

Um fato marcante na sua carreira?
R: Encerrar a carreira de árbitro da maneira que encerrei. Em 2001, já com 46 anos e jubilado da FIFA e CBF, Apitei simultaneamente pelas Federações Paranaense, Catarinense e Paulista. Era escalado quarta, quinta, sábado e domingo. Para completar o ciclo fui intimado para a final do Campeonato Baiano entre Juazeiro e Bahia. O Juazeiro havia ganho o primeiro jogo em Salvador por 2 a 0 e só aceitava entrar em campo, na sua casa, se o árbitro fosse eu. O Bahia venceu o jogo, foi campeão e passei a noite
inteira na barranca do "Velho Chico" comendo carne de bode e bebendo entre os torcedores e dirigentes das duas equipes. Gratificante. A maior homenagem que um árbitro pode receber é o reconhecimento público das equipes já que se depender das Federações, da CBF ou da FIFA o presente pode sumir.

Um fato engraçado na sua carreira?
R: Sempre gostei de chegar em cima da hora para cumprir minhas escalas. Quanto mais tenso entrava em campo melhor apitava. Primeira final do Paulistão de 95, em Ribeirão Preto, Corinthians x Palmeiras, a Federação Paulista resolveu fazer uma sorteio momentos antes do jogo para saber que seria o árbitro. E os bundas moles integrantes da
Comissão de Arbitragem aceitaram.
Trouxeram árbitros do Brasil inteiro, dois carros de São Paulo a Ribeirão. Eu fui de Rio Preto pra lá, puto da vida, no meu carro e de pirraça cheguei atrasado no posto da Policia Rodoviária, ponto de encontro. Tomei aquele esporro, pra não ficar por baixo respondi: "quem vai apitar esta porra sou eu portanto chego na hora que eu
quero". Aqueles que não acreditavam, como eu, na lisura do sorteio, ficaram de orelha em pé.
Como passei a semana me preparando física e mentalmente como se fosse ganhar o sorteio, dali pra frente continuei me comportando com se realmente já estivesse ganho. Cheguei no estádio e fui o único a dar entrevista para as rádios dizendo que não precisava de sorteio, eu seria o árbitro.
Como a programação estava atrasada, não fui com os demais para o campo onde foi feito o sorteio na presença da imprensa, fiquei no vestiário trocando de roupa e falei para os árbitros reservas, Spironelli e Perin, para avisarem os goleiros que iríamos trabalhar com camisas vermelhas. Eles foram para os vestiários das equipes e não viram
quando a Comissão e os árbitros vieram me informar que o árbitro seria
eu mesmo. Já estava me alongando e morrendo de rir. "Não falei? Eu já sabia".
Foi apenas uma coincidência. Prevaleceu a minha vontade em cima da
covardia da Federação de não assumir os riscos e a responsabilidade pela escala direta do melhor para aquela circunstância. Em 99 não deu certo. Perdi o sorteio e, literalmente, chutei o pau da barraca. Tem gente que está correndo até hoje de mim, mas é uma outra história ,também engraçada.

Um prato, um filme, um livro, um hobby
Prato: Filé a Milanesa
Filme: Ghost (mais do que nunca, depois do que passei)
Livro: A Criança e o Adolescente no Esporte (Alexandre Apolo)
Hobby: Quem diria, curtir o domingo com churrasco junto com os filhos, na casa
deles, chegando lá pilotando o meu MP Lafer com a capota arriada.
Coisas da idade.

Encerre da maneira que melhor entender esta entrevista:
R: Aproveite a vida com coisas úteis, saudáveis, não perca tempo nem se desgaste com picuinhas, não deixe de conversar com as pessoas que você sentir vontade nem de dizer o que sente na hora em que está sentindo. Pode ser que você não tenha outra oportunidade. Não se apegue tanto as coisas materiais, elas são insignificantes no momento da dor. Tenha fé sempre, nem que seja só na tua fé.

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