ENTREVISTADO DO MÊS - FEVEREIRO

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Nos fale sobre onde nasceu e data do nascimento, estado civil, nome dos pais, e esposa e filhos se tiver.

Nasci em Mogi Guaçu, interior de SP em 18/01/83, sou casado.
Mãe : Vilma Aparecida Almeida Alborghetti
Pai: Francisco Carlos Alborghetti
Esposa: Sirlene Lêoncio Alborghetti
Filha : Isabella Alborghetti
 
Como se interessou pela arbitragem de futebol e alguém a influenciou nisso?
Diferente de muitos, nunca tive o sonho de ser jogador profissional...
Joguei futebol até os 15 anos, cheguei a disputar 2 campeonatos paulistas de base.
Mas desde época em que jogava, preferia apitar a jogar.
Sem influência nesse sentido.

 
Onde foi seu primeiro curso e em que ano?
Primeiro e único curso foi o da Federação Paulista de Futebol, na turma de 2007/2008.
 
Nomine para nós alguns companheiros que se formaram com você
O mais famoso entre os que formaram comigo é o Alex Ang Ribeiro, hoje aspirante FIFA.
Minha turma tinha bons valores, mas creio que deu um pouco de azar com a troca de comissão de árbitros da FPF, pois entramos para o quadro quando estava se estabelecendo de verdade o ranking e acabamos ficando um pouco pra trás nesse sentido.
Cito também os amigos Felipe Buglia Cordeiro (já parou), Rodrigo Paes e o Rafael Tadeu (ambos trabalham na série A1 do Campeonato Paulista).
 
Ainda na Escola o que almejava ou imaginava para seu futuro?
O objetivo sempre foi chegar a trabalhar no campeonato paulista da série A1.
 
Dizem que a primeira escala ninguém esquece. Qual foi a sua e onde?
Primeira escala foi em São Bernardo do Campo, jogo entre São Bernardo x Santos. No Baetão
Trabalharam comigo Mario Henrique de Melo, Cosmo Aristides Grillo e Paulo Pinho.
Primeira ação minha em campo, foi anular um gol do Santos por impedimento. O atacante era o Gabigol.
 
Existe na sua trajetória uma partida que gostaria de esquecer. Qual a razão?
Por incrível que pareça, NÃO.
 
Da mesma forma qual aquela que gostaria que se repetisse sempre?
Tem várias...
Algumas da Copa São Paulo, pela repercussão...Jogos em que os amigos e familiares puderam acompanhar pela TV.
E outras profissionais, como Portuguesa x Rio Branco, em que tive o prazer de trabalhar na estréia do amigo Anderson Faustino no campeonato paulista da série A2.
 
De que forma sua familia vê este seu trabalho?
Dos meus familiares, meu pai era o único que incentivava e acompanhava.
Esposa e filha, devido a minha ausência em vários finais de semana não são apaixonadas pela função, apesar de também torcerem pelo meu êxito.
 
Percentualmente o que representa para você a Taxa de Arbitragem no mês?
Em torno de 30% do meu faturamento mensal.
 
Contra ou a favor dos sorteios ?
A mim, pouco interfere os sorteios, já que atuo como árbitro assistente.
Vejo os sorteios de forma positiva para quem está chegando em divisões principais, pois concorre de igual para igual com árbitros mais tarimbados e vejo o mesmo de forma negativa para os mais experientes, pois dependem da sorte para poder trabalhar.
 
Tem alguma sugestão sobre o que poderia ser melhorado para os árbitros.
Não sei se seria possível, mas creio eu que o ideal seria que as escalas pudessem sair com mais antecedência, pois facilitaria e muito a vida de quem trabalha em empresas privadas e precisa negociar com os respectivos chefes para sair mais cedo e cumprir a escala.
Ideal também seria que a partir do ranking de cada um, o árbitro pudesse se programar com antecedência em relação ao número de jogos que fosse trabalhar em determinado mês, assim ele poderia ter uma idéia de quanto ele iria receber em cada mês e se programar melhor financeiramente.
Como exemplo, um árbitro categoria especial vai estar no sorteio a cada 2 ou 3 rodadas, etc...etc...
 
(Acredita que existe uma ideal para que um árbitro possa estar pronto para atuar na primeira divisão de São Paulo) Com que idade julga que o árbitro esta preparado para atuar em uma primeira divisão de São Paulo ( pode formular melhor... só quis cutucar)
Não vejo a idade como fator primordial para se atuar em qualquer divisão, seja estadual, nacional ou internacional.
Penso que para se atuar em um campeonato “desse tamanho”,  o árbitro deva possuir uma grande rodagem (experiência), estar muito bem fisicamente e dominar a regra do desporto em que ele irá trabalhar.
Não acredito que após 2/3 anos de formação um árbitro esteja pronto para atuar num campeonato deste porte.
Assim como não acho certo, rotular um árbitro como velho e sem função pela idade que o mesmo tem. Se o mesmo passa nos testes físicos é aprovado nas avaliações teóricas a que é submetido e apresenta um bom desempenho no campo de jogo, não vejo motivo para o mesmo ser preterido em relação a outro com idade inferior.
Alguns podem fazer o curso da FPF com 18 anos e outros com 25. Eu, apesar de querer apitar desde adolescente, preferi fazer minha graduação (sou Engenheiro) para posteriormente fazer o curso de árbitros, até porque infelizmente em nosso país, apesar do reconhecimento da profissão de árbitro de futebol, árbitro que não tem uma outra ocupação vai passar por dificuldades.
 
Onde espera chegar na arbitragem num futuro próximo?
Desde que entrei no curso da FPF, sempre galguei chegar a primeira divisão, fazer um jogo que seja da primeira divisão do nosso estado.
Esse seria o sonho, que não sei se será possível devido a minha idade, estou com 33 anos.
Agora onde espero chegar?
Não sei, deixa a vida me levar, seguindo a média da minha carreira, esse ano devo chegar ao número de 100 jogos profissionais (faltam uns 4).
Gosto de acreditar que esse seja um número expressivo, expressivo para quem trabalhou de verdade, não fez falsas amizades ou se aliou a determinadas pessoas em busca de escalas.
 
O que a arbitragem trouxe de melhor a sua vida?
A arbitragem me trouxe amigos, me trouxe viagens, me trouxe conhecer cidades e pessoas que jamais iria conhecer, me trouxe experiências que com certeza ficaram guardadas comigo até o meu fim.
Amigos que já deixaram a FPF e gostaria de citar aqui, como Felipe Buglia Cordeiro e Douglas Perrone Katayama. Amigos não, esses dois são irmãos que a arbitragem me trouxe. Obrigado por vocês terem feito parte da minha vida.
Já do quadro atual, tenho tantas pessoas pelas quais tenho apreço...Cito alguns mais próximos para não me extender muito:
 Enderson Turbiani (meu cunhado também...kkkk,) Renan Carvalho (meu parceiro de treinos) e Luis Fernando de Oliveira
E cito também você RITA, obrigado pelas oportunidades e principalmente pela amizade, atenção e pelos conselhos.
 
O que você espera da profissionalização da arbitragem ?
Nada...sendo duro ao extremo mas não espero nada.
Até porque ninguém quer pagar a conta.
O grupo de árbitros da FPF é muito heterogêneo, tendo árbitros que trabalham em diversos áreas de atuação, cada um com seu respectivo salário. Uns ganhando muito e outros ganhando pouco.
Para alguns, ser registrado como árbitro de futebol e ter carteira assinada recebendo R$3.000,00 mês seria um sonho e para outros extremamente desinteressante...
Diante disso, não vejo solução para a “profissionalização” da arbitragem.
 
Mais regras, mais administração, ou cada jogo é um jogo?
Cada jogo é um jogo.... Tem jogo que precisa de árbitro que domina as regras e tem jogo que precisa de árbitro boleirão.
O árbitro que consegue mesclar as duas formas de apitar e principalmente colocar em prática o que esse jogo está pedindo, é o ÁRBITRO para qual todo assistente quer bandeirar... kkkkk
 
Quais as maiores dificuldades na carreira de um árbitro?
A expectativa.....A falta de planejamento....e o “SISTEMA”.
 
Você aconselharia um amigo a ser arbitro de futebol ?
Se ele gostar de viajar, de conhecer lugares novos, situações novas.... SIIIMMMMMMMMMM.
Aconselhei vários....kkkk
Cito Enderson Turbiani e o Renan Carvalho (meus pupilos)
 
E seu prato favorito, filme, livro, hobby, etc. quais seriam?
Prato preferido: Uma bela macarronada com bife empanado
Filme : Armageddon
Livro : O código da Vinci
Hobby : Jogar tênis.
 
Agora finalize nosso papo da maneira que melhor lhe convier e até mesmo por algo que gostaria de dizer e não lhe foi perguntado:
A arbitragem de futebol foi e sempre vai ser umas das coisas que mais me trazem prazer na vida.
Ver que estou escalado, seja em algum sub ou jogo profissional, alegra o meu dia, por saber que vou conhecer um lugar novo, uma situação nova, jogos de futebol nunca são iguais.
O dia em que eu parar de sentir esse prazer, vou saber que chegou a hora de parar. Quando essa hora chegar, uma certeza eu vou ter.
 
“PAI, SEGUI SEUS ENSINAMENTOS, NUNCA ME APROXIMEI, MENTI OU SORRI PARA ALGUEM QUE EU NÃO GOSTARIA DE FAZER ISSO, SEJA EM TROCA DE UMA ESCALA OU ALGO DO GENERO E ONDE VOCE ESTIVER PODE TER CERTEZA QUE VOU CONTINUAR TE ORGULHANDO”
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